MONUMENTOS
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MUSEU MUNICIPAL

Inaugurado em 19 de Agosto de 1993, o Museu Municipal de Esposende foi instalado no edifício do antigo Teatro-Club de Esposende, datado de 1908, ele próprio um belo exemplar de arquitectura, da autoria do Arquitecto Ventura Terra.

O Teatro-Club de Esposende foi projectado em 1908, ano do início da sua construção, e inaugurado em 1911, representando um dos mais importantes valores patrimoniais do Concelho, não tanto por caracterizar um significativo período da história urbana de Esposende, mas pelo invulgar valor dos arquitectos que envolveu: Ventura Terra, que o concebeu para a realização de espectáculos de teatro e musicais; Bernardo Ferrão que o adaptou a Museu entre 1992-1993. Ambos depararam com a mesma dificuldade: o primeiro dada a forma e limitações da parcela de terreno onde se iria inserir o projecto; o segundo pela funcionalidade a que a adaptação a Museu exigia.

Miguel Ventura Terra (1866-1919) caracterizou a moderna arquitectura portuguesa, feita de materiais que se conjugam em harmonia, como a pedra, o vidro, o azulejo, a madeira e o ferro forjado, em detalhes decorativos ricamente elaborados, personifica um dos modelos que influenciaram as gerações futuras de arquitectos: o "modelo progressista", em que a função prática se valoriza, numa arquitectura de composição, deliberada, racionalizadora dos espaços e dos materiais, respondendo às necessidades da sociedade dominante da sua época mas ainda assim preso a um certo formalismo arquitectónico.

Bernardo Ferrão (Porto, 1945), Arquitecto pela Escola Superior de Belas Artes do Porto, de que foi assistente e professor agregado , actualmente professor auxiliar da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto e Director do Instituto de Teoria e História da Arquitectura, é também Consultor-Urbanista da Câmara Municipal de Esposende e autor do projecto de adaptação do edifício a Museu.



A Recuperação Arquitectónica

A recuperação arquitectónica do Teatro-Club, a par da sua funcionalidade, do imediato papel de depositário e conservador dos materiais à sua guarda, obedecendo à sua dupla função de expor e conservar os testemunhos de uma memória colectiva, articulou dois "tipos" arquitectónicos, o original, de Ventura Terra, que se manteve no exterior e no tratamento volumétrico interior, e o de Bernardo Ferrão, desenhando num quadro de renovação urbana um equipamento cultural num contexto de recuperação arquitectónica, visível no tratamento espacial interno, na harmonia e detalhe dos elementos decorativos, conjugando a pedra e o azulejo com a mesma coerência que Ventura Terra teria admitido, respeitando assim, para além da funcionalidade futura do edifício, o espírito do edifício na recriação de um ambiente próprio de uma época, assumido como um espaço recuperado, a "Sala dos Azulejos", onde o vidro, o azulejo e a madeira se conjugam numa composição intencional com as aberturas à luz que portas e janelas fazem inundar de cor e brilho, em jogos de claridade e sombras.

Adaptação do Teatro-Club de Esposende a Museu Municipal*

..."Esposende, antiga vila de pescadores e marinheiros, assumiu também, a partir de meados do séc. XIX, a vocação de estância balnear, num processo urbano paralelo e contemporâneo ao de muitos outros aglomerados costeiros portugueses. Desde então, a fixação temporária de veraneantes, oriundos sobretudo do interior setentrional do país, modificou e ampliou, face a novas necessidades e exigências, a expresssão do velho aglomerado, num interessante processo urbano que Augustina Bessa Luis magistralmente sintetiza, quando refere que período da história"...Esposende tinha duas almas: a do sul, que era piscatória e a do norte, que era banhista..."

Esta transformação da vila, que atinge o seu auge já no dobrar do séc. XX, será protagonizada quer pela execução de inúmeras residências de veraneio, quer pela edificação de alguns equipamentos de siginficativa importância urbana: trata-se de construções do maior interesse para a caracterização daquele siginificativo período da história urbana de Esposende, cuja preservação urge e, por isso se encontra prevista no planeamento urbanístico que hoje disciplina a transformação do aglomerado. Exemplos qualitativamente flagrantes dessa transformação urbana, são, sem dúvida, o Chalet Nélia, o Hospital Valentim Ribeiro e, justamente, o Teatro-Club de Esposende, todos aliás projectados pelo mesmo arquitecto, Miguel Ventura Terra (1866-1919), nascido em Seixas do Minho e formado na então Academia Portuense de Belas-Artes.

Projectado e construído entre 1908, data da escolha do local para a edificação, e 1911, ano da sua inauguração, no período aureo da carreira do arquitecto, o Teatro-Club de Esposende, então considerado pela imprensa local como ... obra elegantíssima e artística... destinava-se à realização de récitas e espectáculos teatrais, e posteriormente cinematográficos, servindo simultaneamente de sede à Assembleia Esposendense, velha agremiação sócio-cultural cujos estatutos datavam de 1879. O impacto social da iniciativa e o programa de uso da nova construção, estiveram certamente na base da escolha da sua localização, num das praças mais representativas da Vila, onde se situavam já os dois edifícios do maior significado urbano, a Câmara Municipal e a Igreja da Misericórdia.

Extremamente condicionado pela forma e dimensão da parcela onde teria de inserir-se, dificuldade que o projecto sabiamente resolve através da sua volumetria e organização interna, ao Teatro-Club se poderá aplicar também, o comentário de Ramalho Ortigão a propósito de outros edifícios de Ventura Terra: ... A nobreza do seu aspecto não se impõe por hiperbólicos artfícios exteriores, antes se deduz, honradamente, da cultura e da dignidade interior...

Lentamente perdido para os usos que lhe deram razão de ser, o convívio social praticado no belo salão de festas do rés-do-chão e a actividade lúdico-cultural levada a efeito na curiosa sala de teatro situada nos níveis superiores, foi o edifício ocupado nos últimos anos, e infelizmente, por uma indústria de confecções. Pese embora a louvável preocupação dos seus proprietários na preservação da construção, o tipo de utilização a que o Teatro-Club esteve submetido encaminhou-o, inexoravelmente, para a mais completa das degradações".

*Bernardo Ferrão, in Roteiro, Ed. Museu Municipal, Câmara Municipal de Esposende, 1993.



O Museu

No rés-do-chão, a "Sala dos Azulejos", destinada a Exposições temporárias, dado o tratamento especial imposto pelos próprios azulejos, contemporâneos da fundação do edifício e recuperados para a sua posição original.

O 1º e 2º andar albergam a galeria principal, com duas exposições permanentes, dedicadas à Etnografia e à História.
Na primeira, contemplam-se os valores de uma cultura que ilustra o modo como o homem se foi adaptando ao ambiente, aproveitando os seus recursos naturais, colocando-os ao seu serviço, enquanto as formas de comunicação, de expressão de ideias e sentimentos que se desenvolveu ao longo do tempo lhe ia conferindo os valores artísticos, os costumes e as tradições que valorizam a especificidade do Concelho.
Na segunda, caracteriza-se uma área cultural onde o ambiente natural contribui para a fixação humana, desenvolvendo-se agrupamentos humanos portadores dos seus próprios valores culturais e estéticos, onde os artefactos e as produções artísticas, associadas ou não a manifestações colectivas, como os cultos mortuários ou a edificação de povoados de características marcadamente defensivas, passaram pela resolução de necessidades básicas às sociedades humanas e que se traduzem em alguns dos principais marcos do trajecto histórico do Concelho, desde a Pré-História aos nossos dias.


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